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Hérnia de disco precisa de cirurgia? Entenda quando o tratamento conservador pode ser suficiente.

Postado em: 23/10/2026

Receber o diagnóstico de hérnia de disco costuma vir acompanhado de uma preocupação: “Vou precisar fazer uma cirurgia?”

Na maioria dos casos, a resposta é não. Muitas pessoas conseguem controlar os sintomas e recuperar a funcionalidade com tratamentos conservadores, sem necessidade de procedimento cirúrgico.

Isso acontece porque o diagnóstico de hérnia de disco, por si só, não determina o tratamento. É necessário avaliar os sintomas, a intensidade da dor, a presença de alterações neurológicas e o impacto do problema na rotina.

O que é uma hérnia de disco?

Entre as vértebras da coluna existem discos que ajudam a absorver impactos e permitem o movimento. Esses discos possuem uma região externa mais resistente e uma parte interna de consistência mais gelatinosa.

A hérnia ocorre quando parte do conteúdo do disco se desloca e pode irritar ou comprimir estruturas nervosas próximas.

Ela pode acontecer em diferentes regiões da coluna, sendo bastante conhecida na região lombar e também podendo ocorrer na cervical.

Quando há envolvimento de uma raiz nervosa, a dor pode não ficar restrita à coluna. Em uma hérnia lombar, por exemplo, o paciente pode apresentar dor que se espalha pela nádega e pela perna, além de sintomas como formigamento, dormência ou alterações de força.

Ter hérnia de disco significa necessariamente sentir dor?

Não.

Alterações nos discos podem aparecer em exames de imagem mesmo em pessoas que não apresentam sintomas. Por isso, o resultado de uma ressonância magnética não deve ser analisado isoladamente.

O diagnóstico precisa relacionar aquilo que aparece no exame com os sintomas apresentados pelo paciente e os achados da avaliação clínica.

É justamente por isso que duas pessoas com alterações semelhantes em uma ressonância podem apresentar experiências completamente diferentes. Uma pode ter sintomas importantes, enquanto outra pode apresentar pouca ou nenhuma dor.

Quando a hérnia de disco pode ser tratada sem cirurgia?

Em muitos casos, o tratamento inicial é conservador.

A estratégia escolhida depende das características de cada paciente e pode envolver medicamentos, fisioterapia, exercícios orientados, mudanças de hábitos e outras abordagens para controle da dor e recuperação dos movimentos.

A acupuntura também pode ser utilizada em determinados casos como parte de uma estratégia mais ampla de controle da dor.

O objetivo não é simplesmente fazer o paciente “aguentar” os sintomas enquanto espera que eles passem. O tratamento deve buscar controlar a dor, recuperar a funcionalidade e permitir uma retomada gradual e segura das atividades.

Repouso é a melhor opção?

Quando movimentar-se provoca dor, é comum acreditar que permanecer em repouso protegerá a coluna.

Em alguns momentos de maior intensidade dos sintomas, determinadas atividades podem precisar ser temporariamente adaptadas. Isso é diferente de permanecer completamente inativo por longos períodos.

A redução excessiva dos movimentos pode contribuir para perda de força, rigidez e maior dificuldade para retomar as atividades posteriormente.

Por isso, conforme a evolução do quadro e a orientação profissional, movimento e exercícios adequados podem fazer parte da recuperação.

Quando a cirurgia pode ser necessária?

Embora a maioria dos casos não tenha indicação cirúrgica imediata, existem situações em que a cirurgia pode ser considerada.

Entre elas estão casos com comprometimento neurológico importante, perda progressiva de força ou sintomas persistentes e incapacitantes que não apresentam melhora satisfatória com o tratamento conservador.

Existem ainda alguns sinais que exigem avaliação médica urgente. Alterações importantes no controle da urina ou das fezes, perda de sensibilidade na região entre as pernas ou fraqueza intensa ou rapidamente progressiva precisam ser investigadas rapidamente.

A indicação cirúrgica, portanto, não depende apenas do tamanho ou da aparência da hérnia em um exame. Ela considera o conjunto formado pelos sintomas, exame clínico, alterações neurológicas, exames complementares e evolução do paciente.

Uma hérnia grande significa que será necessário operar?

Não necessariamente.

É compreensível que termos presentes em um laudo de ressonância provoquem preocupação, principalmente quando descrevem protrusões, extrusões ou compressões.

Mas o exame é apenas uma parte da avaliação.

Mais importante do que interpretar isoladamente o tamanho de uma alteração é entender se ela corresponde aos sintomas apresentados e quanto está comprometendo a função do paciente.

Por isso, a decisão sobre o tratamento não deve ser tomada apenas pela leitura do laudo.

É possível voltar às atividades depois de uma hérnia de disco?

Em muitos casos, sim.

O retorno deve acontecer de maneira progressiva e de acordo com a evolução dos sintomas. Recuperar força, mobilidade e confiança para se movimentar também pode fazer parte do processo terapêutico.

O objetivo do tratamento não é somente diminuir a intensidade da dor, mas permitir que a pessoa retome suas atividades profissionais, familiares, físicas e sociais com segurança.

O diagnóstico de hérnia de disco não é uma sentença de cirurgia.

Descobrir uma hérnia de disco pode assustar, mas o diagnóstico não significa automaticamente que será necessário operar.

Grande parte dos pacientes pode ser conduzida inicialmente com estratégias conservadoras, enquanto a cirurgia fica reservada para situações específicas.

O mais importante é evitar conclusões baseadas apenas no exame de imagem. Cada hérnia precisa ser interpretada dentro da história clínica de quem recebeu o diagnóstico.

Se a dor está persistente, irradiando para braços ou pernas, acompanhada de formigamento, dormência ou perda de força, procure avaliação médica. Identificar corretamente a origem e a gravidade dos sintomas é o primeiro passo para definir o tratamento mais adequado.

Viver sem dor é possível!

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Dr. Igor Mazar | Médico especialista no Tratamento da Dor e Acupuntura


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